Publicado em: 15/09/2026
"Meu filho não come
nada." Essa é uma das preocupações mais comuns entre pais e mães que ouço
em consultório. Embora seja normal que as crianças passem por fases em que
rejeitam alguns alimentos, é importante observar quando essa dificuldade se
torna frequente e limita muito a alimentação. A chamada seletividade alimentar
acontece quando a criança aceita apenas poucos alimentos e apresenta grande
resistência em experimentar novos sabores, cheiros ou texturas. Muitas vezes, o
cardápio fica restrito, comprometendo a ingestão de nutrientes e tornando as
refeições um motivo de estresse para toda a família. Alguns sinais merecem atenção:
* A criança aceita apenas poucos alimentos e rejeita quase tudo que é oferecido.
* Evita frutas, verduras, legumes ou outros grupos alimentares importantes.
* Demonstra incômodo intenso com determinadas texturas ou consistências.
* Faz birras frequentes ou fica muito angustiada durante as refeições.
* Apresenta dificuldade para ganhar peso ou acompanhar o crescimento esperado.
* A alimentação interfere na rotina da família ou em momentos sociais.

É importante lembrar que a
seletividade alimentar não acontece por "falta de vontade" da
criança. Diversos fatores podem estar envolvidos, incluindo características
sensoriais, experiências anteriores com a alimentação e aspectos do próprio
desenvolvimento infantil. Nessas situações, insistir, obrigar, ou transformar a
refeição em um momento de conflito, geralmente não traz bons resultados. Pelo
contrário, pode aumentar ainda mais a resistência da criança aos alimentos. O
ideal é que as refeições sejam momentos tranquilos, com exemplos positivos dos
adultos e exposição gradual a novos alimentos. Muitas vezes, a criança precisa
ver, tocar ou sentir o cheiro de um alimento diversas vezes antes de aceitá-lo
no prato.
Quando a seletividade alimentar
interfere no crescimento, na saúde ou na rotina familiar, uma avaliação
pediátrica pode ajudar a identificar as causas e orientar o melhor caminho.
Quanto mais cedo houver acompanhamento, maiores são as chances de desenvolver
uma relação saudável com a alimentação.
Campo Mourão
Dr. Ana Carolina Damha | CRM-PR 38.832 | RQE 33343
Pediatra, Pós-graduada em Análise
do Comportamento Aplicada (ABA) e Pós-graduada em Neurologia Infantil.